A RETIRADA


JESUS ensinava : “Eu vos digo : não resistais ao mal “.

Quando o poder obscuro ascende o luminoso se retira a uma posição segura a fim de que a escuridão não possa alcançá-lo e consiga prejudicar os valores éticos, morais e espirituais que são atributos de sua personalidade. É necessário compreender que esse recuo não resulta da livre vontade humana mas sim das leis que governam a natureza.

Nessas circunstâncias, as forças hostis (aqui favorecidas pelo tempo) conseguem avançar causando intrigas, provocando dissabores, favorecendo malidicências e interpretações de toda sorte o que é atributo de pessoas perversas, malignas, doentias que, através de mexericos e bajulações conseguem (pela incapacidade das pessoas despreparadas de conhecimento espiritual, principalmente) alcançar seus objetivos pueris, mesquinhos e patológicos, na maioria das vezes.

Retirar-se não significa fugir, pois, na fuga a pretensão é salvar a si próprio de qualquer maneira. Retirar-se, no momento adequado, é sinal de força interpretando a tempo os sinais da ocasião levando à preparação  de uma retirada provisória e oportuna.  Não é abandonar o campo ao inimigo mas dificultar-lhe o avanço resistindo através da dignidade, dos valores consuetudinários e da elevação espiritual.

O ser humano superior, nessas ocasiões, se recolhe ao seu próprio interior. Não assimila o ódio até porque sabe que ao fazê-lo carregará, para sempre, o objeto odiado em suas lembranças. Sabe, essa pessoa, que para conter esses seres inferiores usará seu equilíbrio e recato não se envolvendo com valores desprovidos de princípios.

Todavia, na retirada devemos estar à frente dos falsos amigos invejosos e pusilânimes para escaparmos do perigo. Devemos mostrar que o que desejamos é correto e que a nossa vontade é firme e favorece a nossa perseverança no alcance de nossa meta.

Ao nos retirarmos devemos nos despedir de maneira amistosa e de bom grado demonstrando nossas convicções sem violentar o nosso interior. Deixemos que as pessoas inferiores sintam a falta de nossa orientação e que sofram por si mesmas.

Nosso desprendimento interno foi alcançado e, assim, estamos livres para partir!

Fonte : I Ching – O Livro das Mutações

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