A tigela do mendigo


No caminho de seu passeio matinal, um rei encontrou um mendigo. Como o rei estava de bom humor, dirigiu-se a ele :

– Peça-me o que você quiser e eu lhe darei !

O mendigo sorriu.

– Pense duas vezes antes de fazer promessas assim. Quem lhe disse que você pode satisfazer os desejos de um homem ?

Magoado, o rei respondeu :

– Eu sou o soberano deste reino. O que você poderia me pedir que eu não pudesse conseguir ?

– É muito simples. Encha a minha tigela.

Imediatamente, o rei chamou seus servidores e ordenou que enchessem a tigela do mendigo de peças de ouro.

Todavia, para grande espanto de todos, à medida que eles colocavam, as peças desapareciam no fundo do recipiente.

Logo a notícia se espalhou como um rastro de pólvora : o rei não conseguia nem encher a tigela de um pobre coitado !

Então o rei mandou chamar os seus ministros :

– Mesmo que eu tenha de perder toda a minha fortuna, não posso aceitar ser ridicularizado por esse mendigo.

E puseram na tigela tudo o que era possível encontrar de mais precioso : prata, pérolas, safiras, diamantes, esmeraldas… Mas, enquanto a noite chegava, a tigela ainda estava vazia. Uma multidão silenciosa formou-se em volta do mendigo.

Então o rei apagou de seu coração todo o desejo de poder e se ajoelhou diante do desgraçado :

– Você ganhou – disse ele -, mas ao menos me explique de que é feita essa tigela mágica.

– Esta tigela é um crânio humano – respondeu o mendigo. Ela é feita de todos os desejos do ser humano, sempre insatisfeito e insaciável. É por isso que está sempre vazia.

Parábola sufista

Fonte: Fábulas filosóficas, Michel Piquemal e Philippe Lagautrière, Companhia Editora Nacional

Anúncios