Perplexidade


Em Medicina quando uma doença não tem causa bem definida fala-se de “doença idiopática”. Uma situação que incomoda bastante os médicos porque, muitas vezes, trabalham “no escuro”.

E incomoda, mais ainda, porque a Ciência não tem explicações determinantes concernentes à essa ou àquela doença. Aquilo que não é explicado cientìficamente não existe ?!. A Ciência já explicou tantas coisas !

Todavia, continuamos agressivos, violentos, irritados, incompreensivos, ansiosos, deprimidos, medrosos, arrogantes, prepotentes, hipócritas, dissimulados, etc., etc.

Psiquiatras, psicólogos, sociólogos, antropólogos, juristas, pedagogos, religiosos  e tantos outros têm as mais diversas explicações sobre essas condições humanas. Não acho pertinente tecer comentários, neste momento, sobre tantos trabalhos discutidos e publicados pelas mais altas autoridades sobre esses diversos assuntos não só pela falta de conhecimento total apropriado como pela falta de espaço adequado à essa discussão.

As pessoas não mudam, dizem uns;  nasci assim e vou morrer assim, dizem outros. Não consigo mudar; as pessoas é que estão erradas e não eu; não tenho que dar satisfação a ninguém; determinadas situações são coisas do passado; se não for do jeito que eu quero não aceito; essa situação (por exemplo, solidariedade, respeito, etc.) não é problema meu; não tenho nada a ver com isso, te vira. É melhor parar por aqui!

Mandamos sondas para o espaço sideral; vemos, ouvimos fatos e acontecimentos em qualquer parte do planeta e até fora dele em tempo real; sentimos emoções as mais diversas veiculadas nos vários meios de comunicação “em respeito à sociedade que deve saber de tudo”; nos comunicamos com quem conhecemos e até com desconhecidos através das diversas “redes sociais”; comandam nossa vida financeira nos permitindo utilizar determinados valores pecuniários em benefício de “nossa segurança”; nos causam constrangimentos com cobranças extemporâneas e nos pedem, simplesmente, desculpas  “se esses pagamentos já foram efetuados”; pagamos impostos, taxas, emolumentos, etc. para que esses valores sejam investidos em “benefício da comunidade”. É nosso direito constitucional termos casa, moradia, saúde, educação, segurança. Ah, meu Deus !

Aceitamos ser vilipendiados em nosso íntimo com trabalhos desgastantes e salários miseráveis “porque se assim não fizermos, existem milhares para nossos lugares”; nos chamam de “colaboradores” até enquanto estivermos aceitando todas as determinações trabalhistas; somos respeitados em nossos direitos desde que saibamos “aceitar” os dos outros.

Há pessoas que julgam como se fossem “donas da verdade”; que se intitulam, por suas ações, intrépidas defensoras “dos mais fracos e oprimidos”; que se arrogam ao direito de interpretar os fatos e acontecimentos sob sua visão borrada pela vaidade, pela arrogância, pela prepotência e, muitas vezes, pela falta de higidez mental.

Como diz a hiena de um desenho animado : “Oh, vida. Oh, Deus”.

São pessoas que pensam saber tudo e, na verdade, nada sabem a respeito da vida. São pessoas que se julgam dotadas de conhecimentos técnicos de suas funções e, por isso, quase sempre, se mostram intoleráveis no tratar com outras pessoas.

Trazem consigo para seus lares, trabalho e lazer suas frustações, seus sentimentos de culpa, de superioridade e de inferioridade adquiridos em suas relações parentais de tenra infância;  não conquistam, controlam; não comandam, ordenam; utilizam-se de seus pseudo-poderes para amedrontar, humilhar, coagir, denegrir a tudo e a todos.

São pessoas insatisfeitas consigo mesmas e por esse motivo insatisfeitas com o mundo. São elas e o mundo e não o mundo e elas. Não compreendem, não toleram desobediência às suas ordens. Se julgam  incapazes de cometer erros e mesmo quando isso acontece são incapazes de pedir desculpas ou de aceitar o erro com humildade.

Mudar ?! É TÃO DIFÍCIL ASSIM ?!

Então, tudo é negativismo, pessimismo, doentio ? Não, ainda bem que não.

Existem pessoas altruístas, voltadas para o seu bem-estar mas, também, o de seus semelhantes. Pessoas desprovidas de vaidade, de rigidez nas suas interpretações do cotidiano da vida humana. Que definiram seus anseios como mecanismos de ajuda ao próximo.

Que idealizaram sua existência ajudando, compreendendo outras pessoas. Que foram e são  capazes de ajudar nações. Que, como religiosas, sabem que o Deus verdadeiro é o Deus do Novo Testamento e não o Deus do “olho por olho, dente por dente”, do Velho Testamento.

“Olho por olho e a humanidade ficará cega”, disse Gandhi.

Para finalizar, cito, mais uma vez, a minha frase : “eu prefiro boas pessoas do que bons técnicos, porque boas pessoas  poderão sempre ser bons técnicos mas, muitas vezes, bons técnicos jamais serão boas pessoas”.

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