O errado é que está certo


Meu velho, quando vivo, nos dizia que haveria de chegar o dia em que o errado estaria certo.

Garoto ainda eu, na maioria das vezes, não compreendia seus vaticínios. Ouvia e guardava suas palavras; sempre fui um bom ouvinte. À medida que o tempo passava e eu procurava buscar mais informações sobre a vida também ficava impressionado com o conhecimento leigo (meu pai não frequentou faculdades) adquirido pela experiência do seu existir.

As pessoas, atualmente, comprometidas quase que sòmente com seu bem-estar material aceleraram suas atividades laborativas e por isso recebem “por necessidade” um volume grandioso de informações muitas das quais sem o valor apropriado para o engrandecimento intelectual, mental, espiritual.

São informações veiculadas nos diversos meios de comunicação (hoje, se fala mídia) sobre  as futilidades de “astros e estrelas”, sobre “os casamentos do ano”, sobre crimes mais hediondos, sobre discriminação, preconceitos, sobre as mais diversas “liquidações” de produtos, sobre guerras e pendengas entre nações, sobre “fashion” (será que todas as pessoas sabem o seu significado ?), sobre a “última moda”, sobre situações que estão “bombando”, etc.

Trabalha-se, na informática, principalmente, com as mais variadas “ferramentas”;  reune-se, no trabalho, nas mais  diversas “oficinas”; é bom encontrar-se com pessoas para desfrutar de uma agradável “happy hour”; participar de eventos “rave”; fazer “check-in” em suas viagens ou “up-grade” nas várias situações, etc.

Ser educado, nos dias de hoje, é confundido com homossexualismo (ainda, se emprega esse termo ? e, por favor, não sou eu quem assim se expressa) ou com religiosidade (esse “cara” é pastor:sic); ser afetuoso com os pais ou com outras pessoas é ultrapassado (como se diz, hoje?); estudar demais nem pensar (as pessoas que assim procedem não são bem vistas); som em veículos só é bom quando bastante alto (não interessa em qual local, horário ou quem esteja ao lado); etc., etc.

Os tempos mudam, as pessoas mudam, claro. Mas, essas mudanças são saudáveis ? Melhoram, de maneira autêntica, as relações interpessoais ? Permitem que as pessoas se encontrem a si mesmas ? Ou, sem juízo crítico, servem, apenas, como massa de manobra daqueles que, àvidamente, buscam lucros, poder pelo poder ?

Será que tudo isso fazem porque, realmente, querem fazer ou “porque todo mundo faz ?”. As pessoas vão aos eventos porque querem ou “porque todo mundo vai ?”. Falam estrangeirismos porque sabem seus significados ou “porque é moderno ou elitista ?”.

Esse “cara” é xenófobo, retrógrado, ultrapassado, dirão alguns. Não teve infância, adolescência, apregoarão outros.

Acredito, todavia, que tudo isso poderia ser feito se fosse de maneira autêntica, saudável. E, se por acaso, assim estiver acontecendo quero tirar as vendas dos olhos e enxergar com clareza o que se passa em minha volta.

Mas, segundo eu soube, em Portugal não se compra “mouse” e sim rato para computador. Prefiro falar um bom Português dentro do Brasil do que “arranhar” um outro idioma. Não acho correto se usar palavras ao contrário, por exemplo, “oivan” em vez de navio (algum sinal de esquizofrenia ?).

Como dizem ou diziam os mais jovens “essas coisas não fazem a minha cabeça” e, sendo assim, prefiro tê-la sadia, com plena higidez mental. Essas “coisas” não são “a minha praia”.

Em um mundo em que tudo é permitido, porque é permissivo, acredito que os valores baseados em princípios deveriam fazer parte do cotidiano das pessoas.

Que as redações fossem corrigidas com critério e que “tu fizesse, tu vai, tu fez, tu falou, etc,” não fizessem parte das conversações pessoais.

O mundo e as pessoas mudaram ou eu, realmente, estou na idade da pedra ?

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