A Terceira Alternativa


Todos nós já tivemos oportunidades de encontrarmos dificuldades, conflitos e desafios em nossa vida. Lidar com as diferenças humanas, nos dias de hoje, principalmente, seja em nosso lar, no trabalho ou mesmo no lazer tornou-se um dos problemas mais difíceis em nosso existir.

Acreditamos que a autoridade moral e a confiança são dois alicerces dos mais sólidos para se estabelecer relações saudáveis entre as pessoas. No meu entendimento, todavia, a base fundamental de qualquer relação humana é o AMOR.

Amar significa não violentar, não agredir, não se utilizar de preconceitos para submeter outras pessoas a vexames, à humilhação. Amar significa ter compreensão e discernimento. Amar significa doação, respeito, benefício mútuo.

Convém, para ressaltar essa assertiva, relembrarmos o comentário que fez Arun Gandhi sobre seu avô Marahtma Gandhi :

“Ironicamente, se não fosse pelo racismo e pelo preconceito, talvez não tivéssemos Gandhi. Ele poderia ter sido apenas mais um advogado bem-sucedido ganhando muito dinheiro. Mas, em consequência do preconceito, já na semana de sua chegada à África do Sul, foi submetido a vexames. Foi retirado de um trem em função da cor de sua pele e isso o humilhou tanto que permaneceu sentado toda a noite, na plataforma da estação, pensando em como obter justiça. Sua primeira reação foi de raiva. Estava tão furioso que queria uma justiça olho por olho. Queria responder com violência às pessoas que o tinham humilhado. Mas ele parou e pensou:”isto não está certo”. Não era isso que iria lhe trazer justiça. Poderia fazê-lo sentir-se bem por alguns momentos, mas não lhe traria justiça.

A segunda reação foi a de querer voltar para a Índia, para viver dignamente entre seu povo.Também excluiu essa alternativa. Disse:” não podemos fugir dos problemas. É preciso ficar e enfrentá-los”. E foi então que vislumbrou a terceira alternativa – a resposta da ação não-violenta. Desse momento em diante, ele desenvolveu a filosofia da não-violência e a praticou em sua vida e em sua busca pela justiça na África do Sul. Ele acabou ficando ali durante 20 anos e então foi liderar o movimento na Índia.”

Que não esqueçamos Krishna, Maomé, Buda, Jesus e tantos outros exemplos de amor dedicado aos seus semelhantes. Devemos, sobremaneira, nos lembrar que a não-violência começa por nós. Mudarmos de dentro para fora. Afugentarmos os “demonios” do nosso eu interior afastando, definitivamente, o julgamento dos atos das outras pessoas, não aceitando seus erros, nos elevando sobre os demais seres humanos. Elevação, sim, mas espiritual.

Elevação que nos direciona à sabedoria, à humildade, à harmonia e ao amor desinteressado de outros ganhos que não o da doação aos nossos irmãos.

Jesus nos ensinou: “aquele que em nome da Lei não perdoa seu semelhante se coloca no lugar do meu Pai”.

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