Reunião


A reunião de pessoas em grandes comunidades pode ser um fato natural, como no caso de uma família, ou algo artificial, como no caso de um estado. A família reúne-se em torno do pai, como chefe. A continuidade desta reunião é alcançada através de sacrifícios aos antepassados, celebrações em que todo o clã se reúne. Os antepassados, graças à memória coletiva de seus descendentes vivos, se integram tão profundamente na vida espiritual da família que ela então não se deixa dispersar nem dissolver.

Onde é preciso reunir pessoas, forças religiosas tornam-se necessárias. Mas é também preciso que haja um líder humano como centro da reunião. Para poder reunir os outros, esse líder deve primeiro concentrar-se, integrando-se em si mesmo. Só reunindo forças morais se pode unificar o mundo. Esses períodos de unificação deixarão um legado de importantes realizações. No âmbito social a época da Reunião exige grandes empreendimentos.

Quando a água se acumula no lago até ultrapassar o nível da terra, há risco de um rompimento. Deve-se tomar precauções para evitá-lo. Do mesmo modo, quando um grande número de homens se reúne, desentendimentos tendem a surgir; onde acumulam-se muitos bens, roubos tendem a ocorrer. Os infortúnios humanos muitas vezes resultam de acontecimentos inesperados, contra os quais não foram tomadas precauções.

Em épocas de Reunião não se devem escolher caminhos de forma arbitrária. Há forças secretas atuando de modo a reunir aqueles que se correspondem. É preciso deixar-se conduzir por esta atração.

Fonte:

I Ching, o Livro das Mutações, Richard Wilhelm, Editora Pensamento Ltda.

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