Sonhos


Sonhos de uma noite de verão

Há quem diga que todas as noites

são de sonhos.

Mas há também quem diga

nem todas,

só as de verão…

Mas no fundo

isso não tem muita

importância.

O que interessa mesmo

não são as noites em si,

são os sonhos.

Sonhos que o homem

sonha sempre.

Em todos os lugares,

em todas as épocas do

ano,

dormindo ou acordado.

Peça de William Shakespeare

Dizem que a capacidade de ficar perplexo é o começo da sabedoria.

Na atualidade, se é verdade o que se comenta acima, torna-se essa verdade um triste comentário à sabedoria do ser humano moderno.

Mesmo que sejamos possuidores de elevada educação literária e universal, parece-nos, também, verdade, que perdemos o dom de ficar perplexos. Já não temos perplexidade ante os conhecimentos adquiridos pela raça humana por imaginarmos que tudo é conhecido por nós ou por algum especialista que julga saber aquilo que não sabemos.

Nos dias atuais, ficar perplexo nos causa constrangimento por demonstrar um indício de inferioridade intelectual. Julgamos necessário saber as respostas certas para todos os questionamentos e acreditamos ser insignificante ” o saber fazer as perguntas certas “.

Essa atitude pode ser a razão pela qual um dos mais enigmáticos fenômenos de nossas vidas, os sonhos, cause tanto espanto e provoque tão poucas perguntas.

Todos os seres humanos sonham; quase sempre não compreendemos nossos sonhos e, todavia, agimos como se nada de estranho ocorresse em nossas mentes adormecidas.

Em estado de vigília (quando estamos acordados), somos pessoas ativas, racionais, com intensa vontade de obter o que desejamos e capazes de defender o que é de nossa propriedade.

Dormindo, “acordamos” para uma outra forma de existência. Quando estamos dormindo, então, sonhamos. Nessa situação, acontecem estórias sem qualquer significado na vida real, aparentemente.

Não existem tempo e espaço; pessoas mortas se apresentam como se estivessem vivas; dois fatos se mostram ocorrendo simultaneamente; viajamos para lugares distantes com velocidade da luz; tempo e espaço não têm poder em nossos sonhos.

Convém lembrar, todavia, que os sonhos são reais enquanto os sonhamos. E são reais, o que significa, então, a realidade ?

” Como sabemos ser irreal o que sonhamos e real o que experimentamos em nossa vida ativa ?”.

Devemos relembrar o que um poeta chinês citava em seus ensinamentos:” na noite passada, sonhei que eu era uma borboleta, e agora não sei se sou um homem que sonhou que era uma borboleta, ou talvez uma borboleta que agora está sonhando que é homem “.

continua…


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