Bulimia


Algumas pessoas, hoje, sofrem, terrivelmente, com suas silhuetas. Acham-se feias, disformes, “gordas” demais, obesas.

Fazem exercícios, caminhadas, “malham” nas academias, fazem dietas, submetem-se a cirurgias. “Todo sacrifício vale para manter a forma”, dizem! Comer? Muito pouco. Jejuar é o ideal. Quanto sacrifício, caramba!

Em todo o processo da evolução humana, as mudanças sempre foram significativas para a concretização dos ideais dos indivíduos e da sociedade.

Mudanças de valores, de paradigmas; mudanças intra e interpessoais que culminaram na assimilaçao de novos conceitos no Direito, na Ética e na Moral, na Sociologia, na Antropologia, etc., nos valores consuetudinários, enfim!

Também e, principalmente, talvez, na visão de mundo do dia a dia.

Quanto ao corpo físico da mulher basta fazer uma viagem da época do Renascimento aos dias atuais. Lá, as figuras femininas, reproduzidas em tela por famosos pintores, eram possuidoras de seios fartos, ancas largas, coxas grossas, gordas; aqui, as mulheres procuram ser esquálidas, longilíneas, esbeltas, magras.

Um novo “modelo” de mulher. Incitadas por esse novo perfil, elas chegam a adoecer à procura do corpo ideal que lhe permitam ser aceitas como “saudáveis”, “modernas” em todos os eventos sociais.

“Gosto não se discute”, dirão alguns. É verdade. Todavia, há que se relembrar que esse culto pelo corpo nos dias atuais deveria, também, estar em sintonia com a procura pelo bem estar de cada um, homem ou mulher, em seus aspectos psicológicos, sociais, espirituais. Sentir-se bem, verdadeiramente.

Ser magro, ser gordo, não importa (observadas as condições de saúde/doença, é claro). O que importa é que a pessoa esteja bem consigo mesma e, por conseguinte, com o mundo.

Convém ressaltar que esse termo (bulimia nervosa) – saiba mais aqui – foi usado por muito tempo apenas como um sintoma e não como uma entidade patológica específica. Era apetite ou fome insaciável que certas pessoas apresentavam quando vivenciavam episódios de ingestão exagerada de alimentos.

Somente em 1979, quando Gerard Russel descreveu um transtorno mental com alteração do comportamento alimentar, a bulimia nervosa passou a fazer parte da prática médica como uma patologia bem definida.

A incidência maior ocorre entre as mulheres na faixa etária de 18 aos 23 anos e numa proporção de 9 mulheres para 1 homem.

A caracterísitca mais importante do quadro clínico é a ingestão descontrolada de alimentos em que a comida é superior às necessidades calóricas e em quantidade mais elevada àquela que a maioria das pessoas comeria no mesmo período.

Durante o dia, a pessoa pode ingeriri até 5000 kcal, cuja ingestão é, frequentemente, acompanhada de sentimento de culpa e vergonha. Essa situação torna-se mais grave quando a bulimia passa a fazer parte da vida pessoal (afetiva) e social (profissional) da pessoa ocasionando-lhe transtornos nas suas atividades cotidianas.

Há ações do indivíduo, ditas compensatórias, cujo objetivo é “eliminar” a quantidade de alimentos ingeridos através de vômitos induzidos pela própria pessoa, uso de lachantes, jejum, etc.

A “crença” de que poderá haver eliminação 100% de todo o alimento ingerido advém de conversas entre os adolescentes, principalmente, e através de informações não confiáveis que são distribuídas no intuito de venderem “fórmulas mágicas”. A propagação dessas conversas entre as pessoas acaba por criar um círculo vicioso que é prejudicial à saúde desses indivíduos que se encontram fragilizados por seu desespero.

As informações divulgadas na internet por pessoas não habilitadas e as conversas entre amigas confundem as idéias das adolescentes que chegam, até a defender a tese de que não têem doença e sim são seguidoras de um novo “estilo de vida”.

Como já citamos em outras matérias, os pais não têem mais tempo para fazerem refições com os filhos e deixam de perceber, a tempo, qualquer “anormalidade” no comportamento alimentar deles. Servem como alerta para os pais o fato de que, após as refeições, o filho ou filha sempre se dirigirem ao banheiro e por lá permanecerem algum tempo.

É preciso, todavia, que os pais lembrem que julgamentos e críticas não são “remédios” favoráveis à solução desse problema. É absolutamente necessário se compreender o sofrimento das pessoas, discernindo entre o que é melhor para elas “verdadeiramente” e estendendo-lhes a mão, através do amor, para sua total recuperação. Lembrem: AMOR, COMPREENSÃO, DISCERNIMENTO!

Devemos perseverar nessa ajuda porque as pessoas por  mais que queiram, muitas vezes, não conseguem evitar a compulsão e voltam a cometer os mesmos “delitos” alimentares levando-as a apresentar baixa autoestima pelo fracasso nas tentativas e por sentirem-se culpadas e com vergonha de si mesmas.

Esse estado emocional propicia não só o início como a manutenção dos episódios de bulimia. As frustrações pessoais, as perdas afetivas, os conflitos familiares, também contribuem, sobremaneira, para a continuidade do círculo bulímico.

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