Curso de Relações Interpessoais



Desde o seu nascimento o ser humano pertence a grupos.

A família (pais, irmãos, parentes) recebe o novo ser e atua sobre o seu desenvolvimento influenciando, principalmente, nos primeiros anos de vida. Mesmo que uma criança não tenha uma família adequadamente constituída (por abandono dos pais) sendo criada por outros grupos que funcionam como substitutos da família (orfanatos, casas de caridade, pais de criação) entende-se que ela participará da convivência com outras pessoas. Os casos de isolamento social só serviram para demonstrar (apesar da sobrevivência dessas pessoas, em algumas situações) que há necessidade do grupo social na formação da personalidade humana.

A nível biológico há um “padrão” de desenvolvimento inerente a todos os seres humanos o que não acontece  no desenvolvimento de sua natureza, como ser integrante do meio ambiente em que habita e em que vive. As semelhanças em termos anatômicos e fisiológicos são distintas das características psicossociais de cada ser humano.

A personalidade humana, segundo alguns estudiosos, se desenvolve não somente pela herança biopsicológica de seus genitores (genótipo) como pela carga de influências e trocas do meio ambiente (fenótipo).

Os estudos de antropologia cultural foram de imprescindível esclarecimento sobre o conceito de “natureza humana”, observados os diversos grupos humanos com diferentes culturas. Alguns dos atributos humanos aceitos como inatos foram questionados e transferidos para uma categoria de adquiridos apesar de sua concepção simplista dessa personalidade humana,

O comportamento do ser humano não está apenas, justificado pela satisfação de suas necessidades biológicas (alimentos, oxigênio, água, sexo, manutenção do equilíbrio térmico, etc.), mas de afeto, de aprendizagem, de amor, de contato com outras pessoas, de ir além do que é objetivo e palpável, de ansiar por prestígio, etc. Tem o ser humano necessidades físicas, psíquicas, sociais e espirituais que o levam em busca de satisfação pessoal ou de redução de suas tensões.

O caminhar pela vida leva o ser humano a tomar consciência de si mesmo e dos outros, com quem convive assegurando um aprendizado de novas necessidades, de outras emoções, desenvolvendo sentimentos, educando seu temperamento, etc., ensejando uma adaptação ao mundo em que vivemos com suas regras, conceitos, limitações.

Estamos, então, diante da interação EU X MUNDO e de cuja luta ferrenha haveremos de preservar a individualidade em respeito às imposições da sociedade com seus conceitos e padrões.

Ser uma boa pessoa! Ser uma pessoa bem sucedida na vida! Apregoam, a toda hora, nos nossos ouvidos. O que isso significa no Brasil, na China, no Tibet, em diversas regiões do planeta?

Sabe-se que o conceito de normalidade varia com o tempo e o espaço. Em assim sendo, por viver em grupos, o ser humano necessita, constantemente, de ajustamentos às novas perspectivas de vida por sabermos que tudo que é diferente nos nossos hábitos e costumes passa a ser observado como “esquisito” ou “anormal”. Por outro lado, sabe-se que o “normal” mesmo sendo vivenciado pela maioria pode não ser o mais correto e / ou o mais saudável.

Cabe a cada um de nós, então, pelo próprio aprendizado discernir o “certo” do “errado”, o “melhor” do “pior”, o que é mais nosso que dos outros, etc…

Devemos viver em grupos preservando as nossas particularidades pessoais respeitando as nossas diferenças individuais. É um processo complexo e muitas são as variáveis que intervem na formação e desenvolvimento de nossa personalidade.

Não devemos esquecer, todavia, que se as habilidades essenciais do ser humano em suas relações não são inatas (se ninguem nasce sabendo conviver com os outros) significa que é possível ensinar e, por conseguinte aprender padrões mais adequados de relacionamento social.

De forma prática, podemos dizer que há uma necessidade de “aprender a viver com as outras pessoas”

Alguem já disse: “Não queira que o mundo mude para você mudar, mas se você mudar o mundo muda com você”. Quantas oportunidades passaram pelas pessoas sem que elas dessem o devido valor?

Você tem medo do sucesso? Suas crenças lhe ajudam ou lhe prejudicam na sua vida cotidiana? Suas relações com outras pessoas são adequadas? Você é líder ou liderado? Se líder, é democrata ou autocrata? Tantos questionamentos!

Por que você não reage satisfatoriamente às suas frustrações? Por causa de seus conflitos? Pela ansiedade de não ter sido bem educado, de não ser compreendido, de não estar habilitado,etc….?

Essas frustrações, principalmente, nos dias atuais não estariam mais sedimentadas no imaginário popular pela prevalência do “ter” ao “ser”? Frustração pela demora no aumento salarial, por barreiras que nos impedem de alcançar nossos objetivos (geralmente, de cunho financeiro), pelas regras socias que impedem de fazermos “aquilo” que desejamos, etc….

As diversas reações a essas frustrações (pressão, apatia, fixação, racionalização, compensação, projeção, negação, etc…), segundo os especialistas, é que nos permitem conviver adequadamente ou não com outras pessoas.

Os diversos conflitos que temos dentro de nós não resolvidos nos levam a tomar determinadas atitudes e a apresentar outros tantos comportamentos que, às vezes, não compreendemos e parecem-nos demasiadamente bizarros.

Como uma venda em nossos olhos, os conflitos não permitem que vejamos com nitidez os acontecimentos em nossa volta e impedem nossa maneira eficiente de agir.

Você aceita críticas? Você costuma armar-se de defesas para não enfrentar as ameaças exteriores? Você é um “pobre coitado” choramingando porque tudo com você só dá errado? Você se frustra com facilidade? Você se recrimina quando não alcança um objetivo almejado?

É prudente e necessário que você, então, passe a COMPREENDER COMO VOCÊ É e COMPREENDER COMO OS OUTROS SÃO sob pena de não conseguir relacionar-se bem com as outras pessoas.

Como fazer  para compreender melhor você e as pessoas?

Observando-se e observando as pessoas! Dê a si mesmo e a elas a oportunidade de acertarem e errarem em suas decisões; permita-se expor seus pensamentos, seus sentimentos e suas ações no convívio com elas! Seja mais sensível socialmemte, reconheça as diferenças entre as pessoas no seu modo de agir, de pensar, de sentir.

Interprete os outros pelo que eles são e não pelo que você gostaria que eles fossem, enquadrados no seu modo de pensar. Todos devem ser católicos, flamenguistas, hedonistas, reclusos socialmente? Se você pensa assim haverá de admitir que está enquadrando as pessoas no seu modo rígido de pensar. Algumas pessoas dizem assim: “eu sou desta forma e não vou mudar”. Será que você não está apresentando um comportamento bitolado? Será que você não está estereotipado? Por quê você fuma, todos devem fumar? Por quê você não fuma, ninguém deveria fumar? (observar as consequências de doenças sobre o assunto). Você gosta do vermelho e não aprecia as pessoas que usam o azul?

Você só está vendo as pessoas através do seu óculos!

Mudar, claro, para melhor! Buscar as mudanças como condição de nosso aprimoramento bio-psíco-social-espiritual. Podemos sonhar até porque “sonhar não custa nada”.

Você já se permitiu avaliar se tudo que é moderno é bom, é necessário? Você preserva alguns valores, principalmente, espirituais? Você conhece as virtudes humanas?

Você sabe o que é a Fé?  A Compaixão, a Perseverança, a Alegria, a Paz, a Paciência, a Lealdade, o Auto-controle? Você já foi apresentado ao AMOR?

“Pois amar é como rezar, é uma força e um processo. É criação. É olhar as pessoas nas suas tristes limitações, mas olhá-las com os olhos de quem vê nelas possibilidade de usar a liberdade que Deus dá para sermos melhores. Não é criticar e nem julgar o tempo todo, pois não é a nossa riqueza que nos mantêm aquecidos à noite, mas a nossa ternura que faz com que outros nos aqueçam”. (Vera Cheuiche).

JESUS citava, constantemente em suas pregações: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amo”.

Religiosidade? Piegas? Pueril? Empírico?

Não, elevação espiritual!!

Diz um provérbio persa: “com palavras amáveis e com bondade conseguimos arrastar um elefante com um fio de cabêlo”. Será? Você já tentou fazer algo assim?

Você já abraçou, hoje, um seu semelhante? Já proferiu palavras de incentivo a alguém?  Já perdoou alguma injúria?

Ah, eu esqueci. Você não é desse tempo. Isso é careta, é ultrapassado; isso deve vir de alguém fossilizado, é jurássico.

Você é moderno; é exímio conhecedor de computadores (não entendam mal), “navega” na internet, quase todas as suas relações são virtuais, fala um idioma sem “neologismos”, sem girias; difunde o lazer como a atividade suprema do existir humano, instrui-se com os mais profundos conhecimentos dos realces televisivos, inveja e imita “os ídolos de barro”,  busca o conhecimento da verdade através dos “atos de ficar”. Você é moderno!

Carl Rogers (TORNAR-SE PESSOA) nos ensina:

Nas minhas relações com as pessoas descobri que não ajuda, em longo prazo, agir como se fosse alguma coisa que não sou;

Descobri que sou mais eficaz quando posso ouvir a mim mesmo aceitando-me, e quando posso ser eu mesmo;

Atribuo um enorme valor ao fato de poder me permitir compreender uma outra pessoa;

Enriquece-me abrir canais através dos quais os outros possam comunicar seus sentimentos, a sua particular percepção do mundo;

É sempre altamente enriquecedor poder aceitar uma outra pessoa.

LIMITAÇÕES DA COMUNICAÇÃO

Comparativamente, não sejamos demasiadamente críticos e sim comedidos nessa modernidade mas, principalemente, generosos  no elogio às pessoas (jovens e adultos) que necessitam enxergar sem a venda da ignorância cultural e da mediocridade espiritual.

“A única justificativa para olharmos de cima uma pessoa é que estamos prestes a ajudá-la a erguer-se”. (VERA CHEUICHE)

Todavia, é bom lembrar o que Jesus salientva: “Quem tiver ouvidos que ouça, quem tiver olhos que enxergue…”.

Mudar nos tempos atuais, é enfrentar um “inimigo vencido?”. É sobrepujar valores pessoais e sociais na aceitação do “novo”, do “moderno”? Sem hesitação, sem crítica, sem juízo de valor sobre este ou aquele assunto?.

Para um caso ou outro se necessita, porém, saber se comunicar com outras pessoas. E comunicar significa “a utilização de qualquer meio verbal e não-verbal pelo qual é transmitido, de pessoa a pessoa ou pessoas, sem perder, tanto quanto possível a sua intenção original”.

Não se deve perder de vista que no ato da comunicação (processo) existem o emissor e o receptor, com seu código (como se diz) e sua mensagem (a quem se diz).

O grande objetivo da comunicação é o “entendimento entre os seres humanos e a busca em evitar problemas e diminuir os conflitos da humanidade”.

Há comunicações verbais e não-verbais que se apresentam em diferentes tipos:

a) Verbais:

Orais – Ordens, palavras e colóquios, etc…

Escritas – Cartas, bilhetes, cartazes, mensagens eletrônicas, etc…

b) Não-verbais:

Mímicas – Gestos das mãos, da face, etc…

Posturais – Postura ou atitude física.

Visuais – Diversos tipos de olhares.

RECURSOS QUE FACILITAM A COMUNICAÇÃO

1.     Valorize a pessoa tornando-a centro de     interesse e atenção;

2.     Chame a pessoa pelo seu nome (durante a conversa repita de vez em quando o nome dessa pessoa);

3.     Torne-se simpático e agradável ao ouvinte, verdadeiramente. Elogie;

4.     Considere importantes as idéias, objetivos, emoções de quem está conversando com você!;

5.     Trate as pessoas da mesma forma como você gostaria de ser tratado. Seja comedido na crítica e generoso no elogio (LIONS).

6.     Respeite a capacidade de compreensão de cada um. Seja paciente ao ouvir;

7.     Esteja, se possível, a todo momento disponível para ouvir. “Perca tempo”

8.     Aprenda a lidar, primeiramente, com você;

9.     Controle suas emoções; não se comunique com alguém estando agressivo ou com raiva;

10.   Não prejulgue; contenha suas antipatias pessoais. “AMAR QUEM NOS AMA NÃO MERECE RECOMPENSA. A RECOMPENSA ESTÁ EM AMAR QUEM NÃO NOS AMA” (Jesus, de Nazaré);

11.   Alimente-se de pensamentos positivos em relação a você e aos outros. Procure descobrir o lado positivo em tudo e em todos;

12.   Seja autêntico, mas não confunda AUTENTICIDADE COM AGRESSIVIDADE;

13.   Aprenda a ouvir. Ouça as palavras, mas preste atenção aos gestos, a fisionomia, ao tom de voz;

14.   Olhe para a pessoa com quem fala;

15.   Dê a perceber à pessoa com quem está falando que está interessado (a) no que ela diz;

16.   Espere que a pessoa termine seu pensamento;

17.   Ao falar, exprima seu pensamento de forma clara, direto. Fale gerando ação.

Não diga: Eu gostaria de dizer…

Diga: Eu quero dizer…

18.Certifique-se que a outra pessoa entendeu sua mensagem.

Egocentrismo de quem escuta, opiniões e atitudes do receptor, a percepção do outro influenciado por preconceito, a competição entre as pessoas que conversam, a frustração de quem ouve, a transferência (inconsciente) de sentimento, a hierarquia de comando.

Para facilitar a compreensão desses pontos de vista convém salientar os 11 (onze) erros de SWIFT em uma comunicação:

1) A desatenção de quem ouve;

2) O péssimo hábito de interromper ou falar ao mesmo tempo em que a outra pessoa fala;

3) A preocupação de mostrar que se tem cultura;

4) Egoísmo;

5) A vontade de querer dominar a conversa e o assunto;

6) Pedantismo;

7)A falta de sequência na exposição do assunto;

8)O hábito de querer fazer gracejos durante a conversa;

9) O espírito de contradição;

10) A falta de calma na apresentação dos argumentos;

11) Trazer à conversa assuntos pessoais, em detrimento dos assuntos de ordem geral.

Para enfatizar a necessidade de SABER OUVIR salientamos que uma pessoa ouve quatro a cinco vezes mais depressa do que fala e, em média, fala-se noventa a cento e vinte palavras por minuto.

Os estudos estatísticos demonstraram que em um ano de trabalho com 1800 a 2400 horas de atividades são despendidas mais de 80% desse tempo em comunicação distribuídos da seguinte forma:

Leitura – 4%

Escrita – 11%

Fala – 22%

Audição – 63%

A nossa capacidade de transmitir mensagens aos outros torna-se mais eficaz quanto mais observarmos o que se salienta, abaixo:

Comunicação por palavras – 7%

Postura – 38%

Tom de Voz – 55%

Saber distinguir os vários aspectos da troca de informações entre as pessoas, aplicando na prática esses conhecimentos, “é ter mais poder de conhecimento e de influência sobre outras pessoas”.

Não diga: Não me custa nada, faz parte do meu trabalho.

Diga: Você faria o mesmo por mim.

Finalmente, não esqueça que “o que nós vemos depende muito do que nós acreditamos”. (LAIR RIBEIRO)

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Um comentário sobre “Curso de Relações Interpessoais

  1. Parabens pela divulgação desse Curso de Relações Interpessoais, pois é de estrema importância nos meios organizacionais e da vida em geral e que também deveria ser obrigatório nas escolas e nas faculdades brasileiras. Vou acompanhar todo o curso aqui no Blog.

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