Trânsito louco ou louco trânsito?


Etimologia da palavra

O vocalubário Trânsito deriva do latim transitu e, segundo os dicionários especializados, significa “ato ou efeito de caminhar, marcha; passagem; trajeto; a afluência de viandantes”.

Trânsito de veículos

Dos mais graves problemas das grandes cidades o trânsito constitui-se, hoje, em um dos fatores mais angustiantes da vida do ser humano.

Grandes somas de recursos financeiros são dispendidas pelas administrações públicas municipal, estadual e federal para ordenar o trânsito nas cidades sem contudo, muitas vezes, atingirem o objetivo desejado pelas autoridades e, principamente pelos usuários do sistema viário.

Costumeiramente, observamos grandes congestionamentos de veículos nas vias públicas pelos motivos mais diversos ocasionando o que as pessoas ressaltam como o “caos” no trânsito.

Cidades que cresceram sem planejamento viário (muitas vezes pela falta de um plano diretor), excessivo número de veículos, falta de participação comunitária, motoristas despreparados técnica e/ou emocionalmente, dentre outros fatores, contribuem sobremaneira para o trânsito caótico das nossas metrópoles.

Há que se salientar, principalmente, a indisciplina pessoal, a falta de observância das normas e do código de trânsito, a falta de educação das pessoas transformando, inúmeras vezes, simples  motoristas de veículos em verdadeiros gladiadores modernos dos centros urbanos.

Pessoas (motoristas)

Saliento em algumas palestras realizadas em diversas instituições o desafio de alguém se postar em um cruzamento de ruas ou avenidas e observar os carros passarem pelo local contando, se possível, e sem parecer um doente mental (para os outros) o número de veículos cujos ocupantes estejam sorrindo.

Dentre dez carros, talvez, consigamos vislumbrar pessoas felizes em um ou dois veículos. Nada de tão grave não fosse o exemplo deslocado para o cerne da questão: as pessoas já saem aborrecidas de suas residências, preocupadas com os seus problemas pessoais (falta de dinheiro, preocupação com os filhos ou com o cônjuge, etc.) tornando-as suscetíveis aos menores estímulos em seu trajeto para o trabalho, a escola, ou que é pior, mesmo, para o lazer.

Como quase tudo na vida moderna, o dia-a-dia das pessoas não contempla a prática dos valores consuetudinários (a gratidão, a solidariedade, a amizade, a tolerância, dentre outros) o que enseja  o embrutecimento do ser humano pela prevalência do “ter” em detrimento do “ser”.

Ansiosas, as pessoas vivem com pressa como se a urgência não fosse o apanágio daqueles que não coordenam seu tempo e suas atividades. Inquietas, sobressaltadas pelos afazeres domésticos e/ou trabalhistas as pessoas deslocam seus complexos, suas deficiências, suas frustrações para o alvo mais próximo de si na condução de seus veículos.

Vias Públicas

Ruas e avenidas estreitas, sem acostamento, esburacadas ou sem pavimentação adequada, falta de estacionamentos públicos ou privados, sinalização deficiente ou inadequada, deficiência de meio-fio, contribuem para a desorganização do trânsito nas cidades.

A Administração Pública preocupa-se com o alargamento de ruas e avenidas e a abertura de novas vias de acesso dos bairros ao centro das cidades e vice-versa construindo, ainda, pontes, passarelas e viadutos procurando melhorar o fluxo de veículos nas vias públicas.

A engenharia de trânsito busca, incessantemente, identificar e corrigir os pontos de estrangulamento, as melhores localizações de sinais e faróis, as sugestões às autoridades constituídas sobre as melhores condições de organização do trânsito.

Torna-se ineficiente e ineficaz, na maioria das vezes, pela falta de alocação de recursos financeiros condizentes com as necessidades estruturais de sua gestão.

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