O Homem Bom, o Falso e os Macacos (Esopo)



Dois homens, dos quais era Bom um e o outro Falso, viajando juntos chegaram ao país dos macacos. O rei destes animais mandou que eles fossem detidos e trazidos à sua presença.

– O que dizem de mim nos outros países? – Perguntou-lhes.

O homem Falso respondeu-lhe desmanchando-se em elogios, dizendo que ele parecia ser um excelente monarca, sábio e poderoso e que sua corte estava cheia de grandes cavaleiros e valorosos capitãs. O rei Macaco muito deliciou-se com tais lisonjas e ordenou que aquele ganhasse uma recompensa.

Considerando o homem Bom que o Falso conseguira mercês do monarca dizendo mentiras, acreditou o infeliz que seria ainda mais premiado se dissesse a verdade. E em seguida perguntado pelo rei o que achava dele e dos que o rodeavam, o Bom respondeu sinceramente:

– Não sois todos nem mais nem menos do que macacos.

Indignado, o soberano mandou que tirassem a vida do homem Bom.

(ASSIM CAMINHA O MUNDO COMUM. QUEM AMA SER LISONJEADO NÃO APRECIA A VERDADE)

O Galo e a Raposa

(Esopo)

Na copa de uma elevada azinheira, um galo dava ao vento seus cantares, como quem pede divertimento e um momento de conversa. Certa raposa faminta, que não tinha inconveniente em almoçar carne com penas, chegou rapidamente ao local do concerto. Mas notando que o cantor estava em um ponto alto demais, onde ela não poderia subir, disse-lhe assim:

– Por que não desces para junto de mim, meu amigo?. Trago-te boas notícias. não lestes a última proclama, a que estabeece a paz e  a concórdia entre as bestas e as aves?. Acabou-se o tempo de nos caçar e nos devorar mutuamente: só o amor e a harmonia presidem agora os destinos do mundo. Desce, portanto, e falaremos de coisas tão gratas a nós.

O Galo, como quem não quer nada, quis antes de descer colocar a Raposa em prova, e por isso disse à ela:

– Vou, amiga, vou, sim; mas espera só que cheguem aqui aqueles dois cachorros que estão correndo em nossa direção.

Ao ouvir isso, a raposa respondeu:

– Sinto muito por não poder esperar. Preciso seguir em frente.

– Mas por que vais tão cêdo assim? – disse o galo. – por acaso está com mêdo dos cachorros? mas não existe paz agora entre nós?.

– sim, mas acho que esses cachorros que estão vindo para cá não leram as proclamas.

E foi acabar de falar e a raposa desapareceu sem mais delongas.

(É PRECISO VIVER SEMPRE PREVENIDO. NOSSOS INIMIGOS MUITAS VEZES VÃO QUERER NOS ENGANAR COM PALAVRAS ENGANOSAS).

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